Poema Enjoadinho (Vinicius de Moraes)

Eu gosto um pouco de escrever, só não escrevo mais por falta de inspiração e competência. Quando estamos nesses momentos mas, por algum motivo precisamos de algo legal, recorro a um grande amigo de todos nós, Sir Google. E foi assim, precisando de um poema legal sobre filhos, paternidade que me deparei com um poema do Vinicius de Moraes, a fonte foi checada e consta no Livro: Vinicius de Moraes: Poesia Completa e Prosa. Futuramente coloco aqui, onde utilizarei o poema.

Poema Enjoadinho

(Vinicius de Moraes)

 

Filhos… Filhos?

Melhor não tê-los!

Mas se não os temos

Como sabê-lo?

Se não os temos

Que de consulta

Quanto silêncio

Como os queremos!

Banho de mar

Diz que é um porrete…

Cônjuge voa

Transpõe o espaço

Engole água

Fica salgada

Se iodifica

Depois, que boa

Que morenaço

Que a esposa fica!

Resultado: filho.

E então começa

A aporrinhação:

Cocô está branco

Cocô está preto

Bebe amoníaco

Comeu botão.

Filhos? Filhos

Melhor não tê-los

Noites de insônia

Cãs prematuras

Prantos convulsos

Meu Deus, salvai-o!

Filhos são o demo

Melhor não tê-los…

Mas se não os temos

Como sabê-los?

Como saber

Que macieza

Nos seus cabelos

Que cheiro morno

Na sua carne

Que gosto doce

Na sua boca!

Chupam gilete

Bebem shampoo

Ateiam fogo

No quarteirão

Porém, que coisa

Que coisa louca

Que coisa linda

Que os filhos são!

 

(Retirado de Poesia Completa e Prosa – Vinicius de Moraes, pp. 401-402)

Eu não estou aqui para fazer interpretações póstumas, isso é coisa para professor de literatura, entretanto o que sempre pensei é que, independente do que se diga sobre riscos, custos e todos os problemas em se “ter um filhos nos dias de hoje”, eu não me imagino sem a vontade de ter e criar meus filhos.

Abs.

Alexandre

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